NO AR
CARREGANDO...
PARTICIPE!
Slide Banner
SEGUNDA Á SEXTA, A PARTIR DAS19H

O DIA EM PAUTA

COM: ALBERTOH DUARTI
Slide Banner
Editorial/Opinião

Circuito de Quadrilhas: Em uma cidade que Clama por Socorro

Para a população, o “investimento” no São João parece não chegar ao balcão do posto de saúde.

Por Albertoh Duarti 22/04/2026 às 22:11
Compartilhar no WhatsApp
Circuito de Quadrilhas: Em uma cidade que Clama por Socorro

Enquanto os fogos de artifício iluminam o céu de Maracanaú para anunciar o “Circuito Nordestino de Quadrilhas Juninas”, o brilho das luzes da festa não consegue esconder as sombras que assolam os corredores do Hospital Municipal Dr. João Elísio de Holanda. O recente anúncio da deputada federal Fernanda Pessoa — herdeira do clã que governa a cidade — é mais do que um projeto de lei; é um atestado de desconexão com a realidade e um tapa na face do cidadão que padece em filas de espera por um atendimento que nunca chega.

 

A deputada utiliza termos sedutores como “motor de desenvolvimento” e “geração de renda”. No entanto, os números e os fatos contam uma história de horror. Em fevereiro e março de 2026, o Sindicato dos Médicos do Ceará (SIMEC) expôs as entranhas de uma saúde municipal em estado de decomposição.

 

Enquanto a deputada foca no “reconhecimento federal” de festas, o sindicato oficializou denúncias de escassez de medicamentos críticos (para epilepsia e alergias) e o fechamento de salas de cirurgia. Realizar procedimentos cirúrgicos em maternidades por falta de estrutura não é “desenvolvimento”, é negligência criminosa que coloca em risco a vida de recém-nascidos e enfermos.

 

A gestão defende que o São João atrai milhões. De fato, em 2024/2025, o evento movimentou cifras astronômicas, mas para onde vai o retorno desse “investimento”?

 

Um projeto de lei para criar um circuito de quadrilhas é uma pauta cosmética diante de uma cidade que sangra. Não faz sentido porque:

 

Prioridade Orçamentária: Um representante do povo deve priorizar o direito à vida. O silêncio da deputada sobre a crise hospitalar em sua própria base política, enquanto promove festas, é uma escolha deliberada pela imagem em vez da substância.
A Falácia do Emprego: Os empregos gerados pelo São João são temporários e precários (vendedores ambulantes e seguranças). Eles não sustentam uma família o ano inteiro e não compensam a falta de assistência médica que essas mesmas famílias enfrentam nos outros 11 meses.
Incoerência Legislativa: Enquanto tenta nacionalizar o São João, a deputada ignora o clamor dos médicos de sua cidade que trabalham em condições insalubres e dos professores que têm seus planos de carreira congelados.

Comentários

Ouça o Podcast

LEIA MAIS

LEIA TAMBÉM

VÍDEOS